
Aumento da oferta plant-based nas prateleiras atrai também consumidores que não seguem dieta vegana e amplia o acesso a alternativas vegetais no dia a dia.
A presença de alimentos veganos em supermercados, empórios e restaurantes brasileiros tem crescido de forma consistente, e o fenômeno já não se restringe ao público que segue uma dieta vegana ou vegetariana. Segundo levantamento recente, marcas que investem em produtos plant-based têm registrado aumento tanto no número de itens ofertados quanto no volume de vendas, um movimento que reflete mudanças mais amplas no comportamento de consumo do brasileiro. Esse avanço levanta uma dúvida comum entre consumidores: por que produtos veganos estão aparecendo cada vez mais em locais que não são especializados no público vegano? A resposta passa por fatores como saúde, praticidade e a chegada de nomes de produtos mais familiares nas embalagens, o que facilita a aceitação por quem está apenas experimentando. Entender esse movimento ajuda a explicar por que o tema deixou de ser nicho e passou a interessar toda a cadeia de alimentação no país.
Por que os supermercados estão apostando em produtos plant-based
O crescimento da oferta vegana em grandes redes de varejo não acontece por acaso. De acordo com dados citados pela reportagem do AR News, o volume total de vendas de produtos de origem vegetal cresceu 18% em determinado período recente, um sinal claro de que essas alternativas deixaram de ser um item de nicho para ganhar espaço permanente nas gôndolas. Esse movimento é puxado tanto por consumidores que já seguem uma alimentação vegana quanto por um público muito maior, que busca reduzir o consumo de produtos de origem animal sem necessariamente abandoná-los por completo. Segundo Ricardo Laurino, vice-presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira, ter nomes familiares nas embalagens atrai mais o público e gera maior aceitação entre os consumidores. AR NEWS 24H
Esse detalhe explica parte da estratégia das marcas: ao aproximar a comunicação de produtos vegetais da linguagem já conhecida do consumidor tradicional, a barreira de entrada diminui. Com a maior presença desses itens em supermercados, empórios e restaurantes, o consumo passa a alcançar também pessoas que não seguem uma alimentação vegana ou vegetariana, e a ampliação da oferta cria novas oportunidades de experimentação, seja no café da manhã, em refeições fora de casa ou em preparos do dia a dia. Esse tipo de consumo gradual, sem exigir uma mudança radical de hábito, tem se mostrado um caminho eficaz para consolidar o mercado plant-based fora das bolhas veganas tradicionais. AR NEWS 24H
O que dizem as empresas que vivem esse crescimento na prática
Marcas que atuam diretamente no varejo vegano confirmam essa mudança de perfil de consumidor. Na Veglac, cerca de 80% dos clientes possuem algum tipo de restrição alimentar, principalmente relacionada ao leite e seus derivados, o que mostra que grande parte do público não chega até a marca por opção ideológica, mas por necessidade de saúde. A empresa relata que a conversa sobre alimentação vegetal deixou de girar apenas em torno do veganismo enquanto causa e passou a envolver temas como bem-estar, diversidade alimentar e acesso a alternativas para diferentes perfis de consumidor. AR NEWS 24H
Outro exemplo é o da B-Vegan, negócio carioca que nasceu da venda de pães artesanais em feiras itinerantes antes de se tornar uma loja física. Segundo o proprietário Leonardo Torres, a marca começou a perceber a demanda por produtos de origem vegetal antes mesmo da consolidação do termo plant-based no mercado, e o negócio nunca teve como público exclusivo pessoas veganas ou vegetarianas. Apesar do otimismo, o setor ainda enfrenta desafios conhecidos, como escala de produção, dependência de fornecedores específicos e o preço final ao consumidor, que costuma ser mais alto do que o de produtos convencionais. Esses obstáculos explicam por que, mesmo com o crescimento acelerado, o preço segue sendo um dos principais fatores que travam a adoção em massa. AR NEWS 24H
O que esperar para os próximos passos do setor
O comportamento do consumidor brasileiro aponta para uma consolidação gradual, e não para um boom passageiro. A entrada de produtos plant-based em pontos de venda tradicionais, fora do circuito de lojas especializadas, tende a normalizar ainda mais essas opções no cotidiano das famílias. Isso vale tanto para itens de café da manhã quanto para refeições prontas, snacks e substitutos de laticínios, categorias que já vêm ganhando espaço nas prateleiras dos grandes supermercados.
Para o consumidor que quer experimentar sem compromisso, o momento é favorável: a variedade aumentou, os preços começam a ficar mais competitivos em algumas categorias e a comunicação das marcas ficou mais acessível. Já para quem trabalha com food service e varejo, o recado das empresas ouvidas é direto, é preciso equilibrar inovação de produto com estratégias de preço e logística para que o crescimento observado nos últimos meses continue se sustentando ao longo do tempo.
Fonte: AR News Notícias





