
Setor de alimentos à base de plantas cresce puxado por consumidores flexitarianos e já supera projeções feitas pela Euromonitor para o período.
O mercado de alimentos plant-based no Brasil vive um momento de expansão que vai além do público estritamente vegano. Dados do setor mostram que o consumidor flexitariano, aquele que reduz o consumo de carne sem eliminá-lo por completo, tornou-se o principal motor de crescimento das vendas de produtos vegetais nos últimos anos. Esse movimento levanta uma questão relevante para quem acompanha o setor, até onde esse crescimento pode ir, e o que explica o fato de as projeções mais otimistas estarem sendo superadas ano após ano. A resposta está numa combinação de fatores, que vai da entrada de grandes marcas tradicionais no segmento até o avanço de campanhas de conscientização como a Veganuary, que ajudam a colocar produtos plant-based na rotina de milhões de novos consumidores todos os anos, inclusive no Brasil.
Os números que mostram a força do setor no Brasil
O crescimento do mercado plant-based brasileiro é sustentado por dados robustos do setor. Dados da Euromonitor, compartilhados pelo Good Food Institute Brasil, mostram que em 2023 as vendas no varejo de carnes e frutos do mar plant-based alcançaram R$ 1,1 bilhão, um aumento de 38% em relação ao ano anterior, com o volume total de produtos vendidos crescendo 22% no mesmo período. O leite vegetal, principal categoria do mercado global, registrou aumento de 9,5%, totalizando R$ 673 milhões em vendas. Esses números mostram uma trajetória de crescimento consistente desde 2021, e não um pico isolado. Vegan BusinessVegan Business
As projeções para os próximos anos seguem otimistas. Segundo Vinícius Gallon, gerente do GFI Brasil, prevê-se que o setor supere R$ 2,2 bilhões em vendas até 2026, e os dados mais recentes indicam que o mercado está no caminho para superar essa estimativa. Esse ritmo de expansão coloca o Brasil em posição de destaque na América Latina, especialmente porque o crescimento não depende apenas de veganos convictos, mas de um público muito mais amplo disposto a testar alternativas vegetais em diferentes categorias de consumo, das carnes aos laticínios. Vegan Business
O papel do consumidor flexitariano e de campanhas como a Veganuary
Entender quem está comprando esses produtos é essencial para explicar o tamanho do mercado. Pesquisa do GFI Brasil aponta que 67% dos brasileiros dizem ter diminuído o consumo de carne, e 28% se definem como flexitarianos, pessoas que buscam reduzir ativamente o consumo de produtos de origem animal sem eliminá-los da dieta. Esse público amplia significativamente o alcance do mercado plant-based, já que não depende exclusivamente da adesão ao veganismo como estilo de vida completo. Food Connection
Campanhas internacionais também ajudam a impulsionar esse consumo no início de cada ano. Segundo o Veganuary 2026, cerca de 30 milhões de pessoas no mundo decidiram experimentar o veganismo em janeiro deste ano, e pelo menos 1.187 novos produtos e itens de menu foram lançados globalmente durante a ação, o que mostra a rapidez de resposta da indústria à demanda por opções plant-based. Na América Latina, dados compilados pela Veganuary e pelo HappyCow apontaram aumento de 20% nas opções veganas para alimentação fora do lar entre 2023 e 2025, chegando a 13.010 estabelecimentos na região. No Brasil, a campanha conta com o apoio direto da Sociedade Vegetariana Brasileira, o que reforça sua capacidade de mobilizar consumidores locais. Congelados VeganosCongelados Veganos
Os desafios que ainda travam o crescimento do setor
Apesar do avanço expressivo, o mercado plant-based brasileiro ainda enfrenta obstáculos conhecidos. O preço elevado dos produtos em comparação às opções convencionais segue sendo uma barreira relevante, assim como a dependência de ingredientes importados, que encarece a produção e limita a competitividade de algumas marcas nacionais. A escalabilidade da produção também é um ponto sensível, especialmente para empresas menores que ainda não conseguem atender à demanda crescente em todas as regiões do país.
Para o setor seguir superando as próprias projeções, especialistas apontam a necessidade de investir em ingredientes locais, reduzir diferenças de preço em relação aos produtos de origem animal e melhorar a comunicação sobre os benefícios das opções vegetais. Se esse ritmo de inovação e ajuste de estratégia se mantiver, o mercado brasileiro de alimentos plant-based tem potencial para consolidar de vez sua posição como um dos mais promissores da América Latina nos próximos anos.
Fontes: veganbusiness.com.br | Food Connection | Veggie Roots





