
Como especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, Ernesto Kenji Igarashi considera que os grandes incidentes de segurança quase nunca surpreendem os especialistas que os analisam depois. Em 2026, com orçamentos de proteção crescendo e a oferta de tecnologia mais ampla que nunca, a persistência das mesmas falhas de segurança revela algo desconfortável, isto é: o problema raramente é falta de meios, é o método de planejamento.
Esse diagnóstico tem consequências práticas imediatas para gestores públicos e privados. Se os erros são recorrentes e conhecidos, eles são mapeáveis, e se são mapeáveis, são evitáveis a custo baixo, muito antes de exigirem investimentos vultosos. A prevenção mais barata do setor continua sendo a honestidade de confrontar o próprio plano com a lista de vícios que derrubou os planos alheios.
A seguir abordaremos os oito erros de planejamento mais destrutivos identificados na prática do setor, por que eles sobrevivem mesmo em organizações maduras e quais boas práticas neutralizam cada um deles.
Quais são as consequências de um plano de proteção genérico e desconectado da realidade?
Já de início, Ernesto Kenji Igarashi destaca que o erro fundador é desenhar a proteção a partir de catálogo de soluções, e não do risco concreto da organização. O plano nasce genérico, superprotege o irrelevante e ignora o crítico. A boa prática é elementar, ou seja, nenhuma linha de plano antes de uma avaliação de riscos honesta e atualizada.
Planos extensos, aprovados e arquivados criam a mais perigosa das ilusões. Capacidade só existe quando pessoas treinadas executam procedimentos ensaiados com recursos disponíveis. O antídoto é testar, visto que exercício não realizado equivale a plano não existente.
Como o subinvestimento em capacitação afeta a segurança nas organizações?
Sistemas impecáveis operados por equipes despreparadas produzem resultados de equipe despreparada. Subinvestir em capacitação, escalas realistas e cultura de segurança é assinar a falha com antecedência. Ernesto Kenji Igarashi esclarece que o elo humano é simultaneamente a maior vulnerabilidade e o melhor sensor de qualquer estrutura, dependendo apenas de como é tratado.
Segurança física que não conversa com tecnologia, que não conversa com comunicação, que não conversa com jurídico, gera planos que colidem exatamente na hora da crise. A prevenção exige planejamento integrado, com todas as áreas relevantes na mesa desde o início, e não convidadas para validar o texto pronto.

Ernesto Kenji Igarashi
Por que é crucial ensaiar planos de contingência para cenários extremos?
A tentação de planejar apenas para o provável deixa a organização nua diante do evento raro e devastador. Sendo assim, a maturidade está em manter planos de contingência enxutos e ensaiados também para os extremos, porquanto são eles que encerram reputações e mandatos.
Plano sem dono é orfandade programada. Logo, Ernesto Kenji Igarashi retrata que, quando a crise chega e ninguém sabe quem decide evacuar, acionar ou comunicar, os minutos mais valiosos da resposta são consumidos em confusão hierárquica. Toda ação crítica precisa de responsável nominal e de suplente definido, com autoridade previamente delegada por escrito.
Por que o debriefing disciplinado é fundamental para evitar a reincidência de erros?
Ameaças mudam em semanas, organizações mudam em meses, e planos revisados a cada dois anos descrevem uma empresa que já não existe. A boa prática estabelece ciclos curtos de revisão e gatilhos de atualização extraordinária, por exemplo, mudanças de sede, de liderança ou do ambiente de ameaças.
O último erro fatal é desperdiçar as lições que os próprios sustos oferecem. Incidentes e quase incidentes sem análise estruturada condenam a organização a reincidir. O debriefing disciplinado, sem caça a culpados e com foco em causas, é a mais barata das ferramentas de prevenção existentes.
A próxima crise já está no calendário de alguém
O ambiente que se desenha para os próximos anos, com riscos físicos e digitais convergindo e a exposição pública das organizações em alta, não perdoará planejamentos decorativos. As instituições que eliminarem esses oito erros agora atravessarão a década com vantagem estrutural sobre as que continuarem confiando na sorte estatística. Ernesto Kenji Igarashi resume que a prevenção madura não é prever o futuro, é remover do presente as falhas que o futuro certamente cobraria.





