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O que fazer quando seu filho presencia violência doméstica? Orientações de Taiza Tosatt Eleoterio

Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio

Taiza Tosatt Eleoterio, psicanalista, alerta que, quando uma criança presencia uma discussão violenta ou uma agressão dentro de casa, o impacto emocional desse episódio raramente se limita ao momento em que ele acontece: a criança carrega, muitas vezes em silêncio, uma mistura de medo, confusão e insegurança que pode se manifestar de formas variadas nos dias e semanas seguintes. 

Saber como agir logo depois desse tipo de episódio faz diferença significativa em como essa experiência será processada. Esse cuidado inicial, embora não elimine o impacto do que foi vivido, pode reduzir consideravelmente o peso emocional que a criança carrega sozinha nos dias seguintes. 

Por que testemunhar violência doméstica afeta tanto quanto vivenciá-la diretamente?

Ainda que a criança não seja o alvo direto da agressão, presenciar cenas de violência entre os adultos responsáveis por ela ativa muitos dos mesmos mecanismos de estresse e medo que afetariam uma vítima direta. O ambiente que deveria representar segurança passa a ser associado, mesmo que temporariamente, à imprevisibilidade e perigo, o que pode comprometer a sensação básica de proteção que toda criança precisa para se desenvolver com equilíbrio.

Taiza Tosatt Eleoterio indica que esse tipo de exposição, quando repetida ao longo do tempo, pode deixar marcas comparáveis às de um trauma na infância vivido de forma direta, ainda que muitas vezes passe despercebido justamente por não deixar sinais físicos visíveis.

Sinais de que a criança foi afetada pelo episódio

Mudanças de comportamento costumam ser o primeiro indício de que algo não vai bem: agitação incomum, dificuldade para dormir, regressões como voltar a molhar a cama, isolamento repentino ou, ao contrário, agressividade em situações que antes não geravam essa reação. Crianças mais velhas podem expressar o que sentem por meio de quedas no desempenho escolar ou afastamento de amigos.

Conforme sublinha Taiza Tosatt Eleoterio, cada criança reage de uma forma diferente, e não existe um roteiro único de sintomas a ser observado; o mais importante é notar qualquer mudança significativa em relação ao comportamento habitual daquela criança específica.

O que fazer logo após a criança testemunhar o episódio?

Nos momentos seguintes a um episódio de violência, garantir um ambiente calmo e previsível, mesmo que por poucos minutos, ajuda a reduzir o estado de alerta emocional da criança. Evitar minimizar o que ela viu, com frases como “não foi nada” ou “você não entendeu direito”, é essencial, já que isso pode gerar ainda mais confusão sobre a própria percepção da realidade. Também é importante evitar pedir que a criança guarde segredo sobre o que presenciou, já que esse tipo de pedido costuma reforçar a sensação de que algo errado precisa ser escondido, o que pode agravar ainda mais o desconforto emocional vivido naquele momento.

Taiza Tosatt Eleoterio pondera que validar o que a criança sentiu, sem entrar em detalhes que não cabem à idade dela, é mais eficaz do que tentar explicar ou justificar o comportamento do adulto agressor, algo que costuma confundir ainda mais a criança sobre o que realmente aconteceu.

Como conversar sobre o assunto de forma apropriada para cada idade?

Crianças pequenas costumam precisar de explicações simples e concretas, enquanto crianças mais velhas e adolescentes podem lidar com conversas um pouco mais elaboradas, desde que sempre adequadas ao nível de compreensão emocional de cada fase do desenvolvimento. Perguntas abertas, como “como você está se sentindo depois do que aconteceu”, costumam funcionar melhor do que perguntas fechadas que induzem uma resposta específica.

Taiza Tosatt Eleoterio evidencia que o objetivo dessa conversa não é obter detalhes do episódio, mas sim garantir que a criança se sinta ouvida e segura para expressar o que sentiu, sem medo de ser repreendida por isso.

Por que buscar apoio profissional costuma ser necessário?

Mesmo quando os pais fazem o possível para acolher a criança em casa, o acompanhamento com um profissional especializado em saúde mental infantil costuma ser recomendado, especialmente quando os episódios de violência doméstica se repetem ao longo do tempo. Esse acompanhamento ajuda a criança a elaborar o que viveu de uma forma que a família, sozinha, nem sempre consegue oferecer.

Taiza Tosatt Eleoterio ressalta que buscar esse apoio cedo, em vez de esperar que os sinais se agravem, tende a reduzir significativamente o impacto desse tipo de vivência ao longo do desenvolvimento da criança, favorecendo uma recuperação emocional mais consistente.

O papel do ambiente familiar na recuperação da criança

Reconstruir a sensação de segurança dentro de casa, com rotinas mais estáveis e previsíveis, é parte fundamental desse processo de recuperação. Isso não significa que tudo precise estar perfeito, mas que a criança perceba, aos poucos, que o ambiente familiar voltou a ser um lugar em que ela pode confiar. Manter pequenos rituais do cotidiano, como horários de refeição e de sono relativamente estáveis, também contribui para transmitir essa sensação de continuidade, mesmo em meio a um período de reorganização mais ampla da rotina familiar.

Cada gesto de acolhimento, escuta e paciência, sustentado ao longo do tempo, contribui para que a criança reconstrua sua relação com o próprio ambiente familiar, entendendo que o que ela testemunhou não define o que a família pode voltar a ser dali em diante.

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