
A redução de perdas de água é um dos temas mais estratégicos para a sustentabilidade dos serviços de abastecimento, informa o engenheiro Odair Jose Mannrich, pois envolve eficiência operacional, preservação de recursos e equilíbrio econômico. Em muitos sistemas, parte significativa da água tratada não chega ao consumidor final, o que representa desperdício de recursos naturais e financeiros, além de comprometer a expansão do atendimento.
Neste artigo, venha entender por que combater perdas é tão importante e quais estratégias vêm sendo adotadas no setor, tudo isso e mais no artigo a seguir.
Tipos de perdas: físicas e aparentes
As perdas em sistemas de distribuição são geralmente classificadas em duas categorias, apresenta Odair Jose Mannrich. As perdas físicas ocorrem por vazamentos em tubulações, conexões e reservatórios, muitas vezes associados ao envelhecimento das redes e à falta de manutenção adequada.
Já as perdas aparentes estão relacionadas a falhas de medição, ligações irregulares e problemas cadastrais, que fazem com que a água consumida não seja devidamente registrada ou faturada. Identificar a proporção entre esses dois tipos de perdas é essencial para direcionar investimentos e definir prioridades de intervenção.
Setorização e distritos de medição e controle
Uma das estratégias mais eficazes para reduzir perdas físicas é a setorização das redes de distribuição. Por meio da criação de Distritos de Medição e Controle (DMCs), torna-se possível monitorar vazões e pressões em áreas específicas.
Com esse monitoramento, variações anormais podem indicar vazamentos ocultos, permitindo ações rápidas de manutenção. Além disso, a setorização facilita a gestão de pressão, reduzindo o estresse sobre as tubulações e, consequentemente, a ocorrência de rompimentos. Essa abordagem transforma a manutenção em um processo mais proativo e baseado em dados.

Odair Jose Mannrich destaca estratégias no saneamento para reduzir perdas de água.
Controle de pressão e modernização das redes
A pressão excessiva é um dos principais fatores que contribuem para vazamentos e quebras de tubulações. Por isso, o uso de válvulas redutoras de pressão e sistemas automáticos de controle tem se tornado prática comum em áreas críticas, explica o engenheiro Odair Jose Mannrich.
Paralelamente, programas de substituição de redes antigas por materiais mais resistentes e adequados às condições locais ajudam a reduzir falhas estruturais. Embora esses investimentos exijam recursos significativos, seus benefícios se refletem em menor perda de água e maior confiabilidade do sistema.
Assim, a modernização das infraestruturas é parte indispensável de qualquer estratégia de longo prazo.
Tecnologias de detecção e gestão de dados
Avanços tecnológicos também têm contribuído para o combate às perdas. Equipamentos acústicos, sensores de vazão e plataformas de telemetria permitem identificar vazamentos com maior precisão, inclusive em áreas de difícil acesso.
Junto a isso, sistemas integrados de gestão de dados auxiliam na análise de padrões de consumo e na priorização de intervenções. A digitalização dos processos, portanto, amplia a capacidade de resposta das equipes operacionais. Tal como alude Odair Jose Mannrich, a incorporação de tecnologia deve caminhar junto com capacitação técnica e planejamento estratégico.
Impactos econômicos e ambientais da redução de perdas
Reduzir perdas significa diminuir a necessidade de captação e tratamento de volumes adicionais de água, o que gera economia de energia, produtos químicos e custos operacionais. Do ponto de vista ambiental, isso contribui para a preservação dos mananciais e redução da pressão sobre recursos hídricos.
Odair Jose Mannrich reforça ainda que sistemas mais eficientes apresentam maior capacidade de atender novas demandas sem necessidade imediata de grandes obras de expansão. Dessa forma, a redução de perdas se consolida como alternativa mais sustentável e econômica em comparação à simples ampliação da produção.
Esse equilíbrio entre eficiência e expansão é fundamental para o planejamento de médio e longo prazo no saneamento.
Perdas como indicador de eficiência do sistema
As perdas de água são um dos principais indicadores de desempenho dos serviços de abastecimento e refletem diretamente a qualidade da gestão e da infraestrutura existente. Combater esse problema exige ações integradas, que envolvem engenharia, operação, tecnologia e políticas de investimento.
Ao adotar estratégias como setorização, controle de pressão, modernização de redes e uso de dados, gestores conseguem avançar de forma consistente na melhoria dos sistemas. Nesse contexto, Odair Jose Mannrich considera que reduzir perdas não é apenas uma meta operacional, mas uma diretriz estratégica para garantir sustentabilidade, eficiência e qualidade no saneamento.
Autor: Alexey Orlov





